quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cada hora tem a sua coisa...

Quem acompanha o meu blog sabe que minhas filhas nasceram prematuras, com 31 semanas, todas duas com menos de dois quilos e a Ísis, com dificuldade respiratória. Já narrei antes que elas demoraram para sentar, engatinhar, andar, falar, tirar a fralda e... eu pensava que tinha me livrado de estresses deste tipo, das cobranças, comparações e do sentimento de culpa... Mas não me livrei! O aniversário de  cinco anos se aproxima e agora tem a angústia da alfabetização. Em post recente, eu contei do entusiasmo da Laís com a leitura, que ia começar a alfabetizá-la em casa, etc.  Só que hoje, quando comecei, notei que não vai ser nada fácil, é provável que demore bem mais do que eu estava imaginando...exatamente como foi com todas as outras etapas... Eu sei, já devia estar conformada, mas é que agora o buraco é mais embaixo, a pisada é no meu calo. Eu não sou uma mãe qualquer, sou uma pedagoga que trabalha com formação de professores alfabetizadores, tenho cursos, experiência, um nome a zelar!!!! E aí as pessoas vêm me dizer felizes como seus filhos são inteligentes, adiantados, pensam rápido... eu não consigo escapar de não ficar arrasada! Logo eu, que já tranquilizei tantas mães dizendo para respeitar o tempo de aprendizagem de cada criança, que cada um é mais hábil nesta ou naquela coisa, sinto na pele o sofrimento de cada uma, enxergo com mais clareza o sentido da lágrima caída... Sei que não vai ser fácil carregar este pequeno fardo (fardo grande é doença), mas tentarei não pressioná-las, tentarei não prestar atenção nos comentários maldosos, tentarei contar outras pequenas vitórias para não me sentir tão mal assim, tentarei (juro!) compará-las somente com elas mesmas e fazer deste momento tão mágico de esforço e conquista, uma estrada mais leve e de caminho seguro, como sempre foi a alfabetização de todos os meus alunos, retirando as pedras uma a uma, afinal de contas, cada hora tem a sua coisa... Por que haveria de ser diferente com elas? Só porque sou EU a mãe?

domingo, 16 de dezembro de 2012

Louca para aprender a ler


Os amigos que reclamavam que eu escrevia mais sobre a Laís devem estar satisfeitos agora, pois notei ao publicar o último artigo que dá Ísis neste blog, e ainda faltam muitas histórias para contar, inclusive da busca por uma boa fonoaudióloga, que a dela fazia reclamar...  Pois é,  escreverei sobre a Laís então, que (agora sim) está sedenta por aprender a ler.  Quis escrever ela mesma a cartinha para o Papai Noel, clamou por um alfabeto móvel, quer repetir a história dos livros diversas vezes de memória, pergunta o tempo todo onde está escrito cada coisa. Eu me rendi e espero apenas a compra de uma impressora para começar a alfabetizá-la, sinto que ela não vai aguentar esperar até completar seis anos... alfabetizei tantas crianças, por que não com minha própria filha? Ao mesmo tempo, tenho o máximo cuidado para não me empolgar e intervir mais do que devo... se bem que ela mesma se cansa e me coloca o freio: “Ah, mãe, agora eu vou escrever assim...”  e faz umas cobrinhas imitando a escrita corrida dos adultos. Eu pergunto: “Mas não vai usar as letras?” Ela faz carinha de descaso e diz: “Ah, não, deixa eu escrever do jeito de criança...”

sábado, 15 de dezembro de 2012

Um susto e... três pontos na testa!


Esses dias, além do maior volume de trabalho (comum nos finais de ano), tivemos algumas surpresas. Estávamos nos preparando para dormir quando ouço uma gritaria. Chegando ao meu quarto me deparo com a Ísis chorando, caindo sangue da testa. Tão comportada, jogou-se na minha cama  mas não contava com a quina da madeira na parede. Fomos à emergência, tarde da noite. Confesso que fiquei tão nervosa que paralisei, meu marido é que cuidou de tudo, estancou o sangue e colocou gelo. Eu conseguia andar de um lado para o outro, feito barata tonta. Ela gritava de dor e susto e a irmã de susto. (Laís tem nojo de cabelo, que dirá ver sangue, ela quase teve uma síncope!) Fomos à emergência e o resultado foram três pontos na testa, muito inchaço, cabeça enfaixada e preocupação. O raio X deu normal, mas o susto foi grande. No dia seguinte desinchou bastante e tive calma suficiente para colocar a foto dela no facebook. Era olhar e adivinhar que foi arte... Parece coisa de nada, mas o nosso coração sofre muito quando o assunto é a saúde do filho da gente, dormi umas três noites ao lado da cama dela com medo de acontecer alguma coisa. Amanhã voltaremos ao hospital para rever o corte pois apareceram dois hematomas, um ao lado de cada olho, será que o sangue desceu? 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tinha uma LUA no meio da página...

Era uma vez uma menina ligada nos duzentos e vinte volts. Sem parar, agitada toda a vida, curiosa como ela , ninguém conseguia segurar a imaginação, a alma e muito menos o corpo daquela criança. Filha minha, esqueci de dizer. Depois de fazer gritaria na rua, show nos consultórios e corredores de shopping, ainda dá uma piscadinha para a gente perder o rebolado. Pois é, não havia nada que segurasse esta moça numa cadeira... Até que um dia chegou algo feito carta em envelope cor-de-laranja, que a gente abriu correndinho, estávamos esperando. Era ela, a coleção de livros do Itaú. Li o primeiro livro por pedido da irmã dela, uma literata nata. Li o segundo pela metade. Tinha coisa mais interessante passando na TV. E o Lino ficou ali, caído no chão, ao alcance dos seus dedinhos. Pediu para ler, coisa que ela nunca faz. Quando o Lino apresentou a Lua seus olhos arregalaram feito nunca tivessem visto nada igual. “Ela tem uma LUA na barriga!” Foi ao fim da história, acariciou a página, suspirou de espanto, voltou ao início, recomeçou; e tudo que era comentário virou papo-poesia. A mãe lembrou do dia em que ela pediu a LUA de presente, do nome da irmã que também era ESTRELA, da dona Sofia do mesmo André que tinha a poesia tatuada nas paredes de casa... e derramou umas lagriminhas que a menina nem viu, nem sentiu quando a voz que lia tremeu; mas elas se juntaram às pontas de vento que sopravam do livro quando  Estrela rodopiava com o Lino e voaram para longe, janela afora. Rumo à LUA?

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quero jogar futebol!!!!

Laís já acordou com todo o gás. Pediu para colocar o uniforme do Vasco e ficou assim, o dia inteiro, com a bola na mão esperando que o pai a levasse para jogar futebol na quadra. Mas com a Ísis doente, nada feito. Passou o dia vendo dvds. Tadinha, vamos rezar para que o verão chegue logo, filha, aí você vai jogar futebol quantas vezes você quiser!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Menina Taká, primeiro livro da Laís

Laís trabalha no seu primeiro livro: "Menina Taká", personagem que ela criou, batizou e conta com a minha ajuda para colocar no papel. Já escrevemos a primeira parte, mas ela quer sempre terminar e com "felizes para sempre", como nos contos de fadas. No entanto, a Menina Taká parece mais ter saído de um conto de ficção científica, sua aparência física não tem nada de convencional. Quanto mais eu pergunto sobre ela mais a Laís se empolga e inventa mais detalhes sobre ela. Não tem muito "mais"? Pois é. A mãe escritora tomou um pito da Clarice mirim: "Mãe, não é pra colocar toda hora Menina Taká, Menina Taká!" Eu, que só quis acompanhar a fala dela, no lugar de emprestar a minha, fiquei sem palavras.



sábado, 12 de maio de 2012

Ser mãe é... (FELIZ DIA DAS MÃES!)


... sair correndo, brava, atrás dela pelos corredores do shopping enquanto todo mundo cai na gargalhada.

...ver filme dublado mesmo detestando simplesmente por não conseguir sentar para ler a legenda.

...engordar de tanto beliscar o biscoito, o pão de queijo, a batata frita e a pizza delas.

...abandonar a dieta saudável e começar a comprar biscoito, pão branco, açúcar refinado e... guloseimas para fazer chantagem na hora da comida. “Você come a cenoura que eu te dou chocolate!”

...interromper as compras mais de dez vezes para levá-las ao banheiro, mesmo sabendo que o intuito é fazer bagunça no mercado!

 ...ouvir “Eu te amomamãe” várias vezes por dia acompanhado de um abraço apertado.

FELIZ DIA DAS MÃES!

domingo, 6 de maio de 2012

Tudo novo de novo (no hospital)

Promessa de zoo com Fefê e Alice viraram um quase dia inteiro no hospital. De novo, Ísis com pneumonia e Laís com sinusite. Estava tentando o máximo evitar as emergências por conta da epidemia de dengue, mas não deu... a Laís parou de comer, e quando a gente a obriga, vomita tudo. Tava muito cheio, mães e pais estressados... De quebra, quando chego em casa, percebo que o antibiótico comprado na Pacheco estava com o lacre violado, vidro aberto e líquido derramado... Graças a Deus a farmácia aqui perto nos salvou... de novo!!!!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vamos mudar um pouco essa história?

Eu acabara de ler o livro que terminava exatamente assim: “ E as histórias de Sherazade continuam encantando crianças e adultos até os dias de hoje”...

___ , mas não foram felizes para sempre...
___ Eles foram felizes para sempre.
___ Mas ela não é princesa!
___ É sim.
___ Ela não tem vestido...
___ A roupa dela é diferente.
___ O vestido é amarelo... e ela não se casou com o príncipe...
___ Fez melhor, se casou direto com o rei.
___ Mas não é príncipe... ela não tem príncipe... Vamos fazer um príncipe pra ela, dobrar pequenininho e colocar dentro da história!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

É Carnaval, gente!


A varinha quebrou, a coroa machucou, o vestido respingou, mas ninguém perdeu o pique!

Quem quiser conferir, tem novo artigo no outro blog:  

maeemdosedupla.bebeblog.com.br

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Depois da tempestade...

Depois da tempestade, vem a bonança... Quinze dias em recuperação, e o diagnóstico foi exatamente o mesmo de meses atrás: pneumonia na Ísis e sinusite na Laís. Só que desta vez o antibiótico demorou a fazer efeito e ainda persiste (mas pouco) uma tosse muito intensa, tipo da que já fez o pai delas desmaiar algumas vezes. O meu medo aumenta, uma vez que já vi acontecer com ele, pinta um desespero. À noite fica difícil dormir... Os remédios de rotina já são muitos, em episódios deste tipo dobram de número, inclusive as contas da farmácia, que sobem assustadoramente!!! Hoje fez um solzinho, descemos pro parquinho. Coitadas, estavam há quinze dias sem pôr a cara na rua...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Diário das superescritoras mirins


Depois de ver um programa onde as crianças falavam sobre a escrita de um diário, Laís resolveu escrever um. No dia dividi um bloco que eu tinha entre as duas e apontei os lápis. No dia seguinte, Laís me intimou a levar uma página do diário para o trabalho. Era a MINHA página. Hoje comprei um caderninho para alimentar esta vontade nas duas. Setenta centavos apenas, mas precisa ver a alegria que provocou. Ísis imita os adultos e pergunta: “Qual o seu nome?” , e ai de mim que não o diga inteirinho. Em seguida ela vai escrevendo de carreirinha e repetindo para si, bem pausadamente e em tom baixo, o meu nome com a palavramamãe” no meio. Daqui a pouco pergunta de novo, de novo, de novo...Para completar comprei um DVD que elas adoram, Tinker Bell 3, e no filme a menina também faz um diário, que de pesquisa científica. Agora, folheando as páginas vejo que elas se preocupam em respeitar os limites da linha do caderno, vejam , tão miúdas... Juro que não influenciei em nada, eu nem contei pra ninguém que ainda tenho diário (secreto)...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Diário de uma (nova) internação - parte I

Já disse antes (ou pior, escrevi) que doenças não seriam mais o meu assunto neste blog, mas algumas coisas são inevitáveis na vida. Acabamos de vir de uma internação de 7 dias por adenite e amigdalite. Não preciso nem dizer de quem, né? Pois é, a Laís continua com a imunidade em baixa, acredito eu por falta de comer frutas, principalmente. Como o paladar dela é muito seletivo, até os suplementos ficam complicados de se administrar. Sobraram coisas boas e ruins, posso dizer que foram sete dias bem "animados". Vou contando aos poucos, aqui e no outro blog, pois costumo atualizá-los com posts distintos.


Começando bem, acho que foram sempre muito legais as visitas das contadoras de histórias da "Associação Viva e deixe viver", que fizeram a alegria da Laís. Incansável, ela esperava ansiosamente e deliciava-se com cada palavra. Aproveito para parabenizar estas pessoas pelo trabalho lindo que realizam.

domingo, 15 de maio de 2011

Odeio inverno porque...

... a crise respiratória se instala acompanhada de muita tosse, catarro, mil remédios e inúmeras noites sem dormir. Este ano está pior, os lábios chegam a estar pálidos, apareceram olheiras de novo. Fazemos nebulização com broncodilatador no mínimo duas vezes ao dia. Esta crise já dura mais de um mês. A medicação tem feito da Ísis, que é comilona e alegre, uma menina sem apetite e mal-humorada.

...elas choram pra tomar banho. Durante todo o verão elas tomam banho comigo, mas nesta época nem posso sonhar em banhá-las com água quente, do tipo que eu gosto. Conclusão: eu morro de frio, elas também.

...as roupas de frio são bem menos duradouras que as de calor. O vestido vai ficando um pouco curtinho, mas a gente continua usando, já as calças compridas e casacos não dá nem pra disfarçar, elas perdem mesmo. O jeito é improvisar colocando legging com short ou saia jeans e jogando um casaco em cima. Ou usar vestido com meia calça e blusa de manga longa por baixo, como dá pra ver na foto (como ela foi tirada no ano passado, as mangas desta blusa já estão quase no cotovelo da Ísis). É o jeito que a gente dá para termos de comprar o mínimo de peças possível.

...a retirada da fralda fica bem mais complicada. A Laís já completou o processo, apenas temos que correr um pouco mais no frio, para não escapar nada. Já a Ísis ainda tem um longo caminho a percorrer, só fica metade do dia sem fralda. Além disso, ela está tão grande que só uma marca cabe (POMPOM SXG) e fica difícil encontrar às vezes.

...acaba a farra de andar descalço em casa o dia todo. Elas ainda não acostumaram com o chinelo sem elástico atrás e o jeito é colocar as meias antiderrapantes que já estão pra lá de pequenas! Será que pantufas resolvem? Coitada da minha lavadeira que esfrega as meias! Se eu não a tivesse, jogaria todas na máquina direto. Quem duvida?

Bem, além de todas essas razões, eu simplesmente odeio frio e esta razão para mim já é suficiente. quando eu vejo alguém, no verão, dizendo que odeia o calor eu penso que só pode ser maluco e agradeço a Deus por estar suando em bicas!!!!!!!

sábado, 23 de abril de 2011

Aniversário de 3 anos na escola

Este ano resolvemos seguir os conselhos de tia Tania e optar pela simplicidade. Comemoramos na escola, junto com os coleguinhas delas. Apesar de curta, a festa foi bastante animada, todos curtiram muito! Não escapamos dos gastos, embora não tão grandes como se tivéssemos feito em casa, mas o mês foi complicado. Encomendamos um kit festa do lado de casa e o papai ficou encarregado dos cachorros-quentes e sucos. No mais, tranquilidade absoluta, menos cansativo... É claro que sentimos falta dos amigos, mas outras oportunidades surgirão, se Deus quiser! O importante é que a data não passou em branco, apesar dos bolsos vazios...


sábado, 12 de março de 2011

A primeira peça de teatro...a gente nunca esquece!

Hoje Laís e Ísis foram pela primeira vez ao teatro. Elas já assistiram a alguns shows, mas numa sala de espetáculos elas nunca haviam pisado antes. Já tínhamos tentado em outra ocasião, mas a peça foi cancelada e terminamos o dia no parquinho do shopping. Hoje aproveitei a proximidade de casa e o precinho bem camarada para convencer o papai em largar as delícias da TV paga. Foi difícil (a disputa era desigual, uma história infantil contra trocentos canais de filmes) mas conseguimos chegar lá. Eu temia pela Ísis e seu curtíssimo intervalo de concentração, mas escolhi uma história que é bem a cara dela, forte admiradora do céu: “Joaquim e as estrelas”. O sinal tocou três vezes e, ao apagar as luzes, eu não consegui segurar as lágrimas. Mas desta vez, diferente das outras, não foi só pelo texto e encenação sensível, mas principalmente por ter a feliz oportunidade de apreciar o comportamento fascinante das minhas rebentas. Duas ladies, cada uma com seu jeitinho. Laís com seu interesse impenetrável, concentradíssima, e Ísis, participando deliciosamente, não havia espectador que não sorrisse e virasse a cabeça para procurar a dona da voz pequenina que insistia em comentários espantados e risadas gostosas. Ofereci alguns biscoitos a fim de perpetuar o olhar atento, mas a cada vez que eu pensava em intervir de maneira mais enérgica, algo acontecia e ela voltava a prestar atenção. No carro, a Laís dormiu e Ísis, com a programação na mão, tentava recuperar a história através da fotografia. E eu, minha gente, não precisei de câmeras para registrar este momento. Preferi (de novo) deixar as imagens na memória, as palavras neste escrito e dizer só com o olhar: “Filhas, bem-vindas ao mundo da arte!”



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Chapéu pra tirar foto

Agora virou rotina a Laís me pedir o chapéu e arrastar a irmã: "Tirar foto! Tirar foto!" Até de camisola...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Primeiro dever de casa

No primeiro dever de casa elas foram disciplinadérrimas... Fizeram questão de verificar se as figuras não estavam de cabeça para baixo, de perguntar se estava certo antes de colar e de aceitar que terminou quando esgotou-se o espaço da folha do caderno. Em seguida, não se fizeram de rogadas e exigiram um novo dever, tive de inventar na hora e recortar uns bichos para satisfazer a sede de aula das pequerruchas. A pesquisa era da cor vermelha, mas volta e meia Ísis levanta um objeto de qualquer cor e grita: “É azul!”

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A lua de Ísis

Não foi a primeira vez que você me pediu a lua. Da primeira vez eu achei inebriantemente fascinante este teu desejo incontestável, seu amor platônico por uma falsa estrela. Explica o teu incômodo com a luz do sol? Talvez. A força da figura mítica que não tem luz própria me invadiu e eu pude dizer: “Não dá, filha, tá muito longe...muito longe...” e continuei subindo as escadas te conduzindo pela mão. No entanto, pouco posso te guiar nas agruras do sonho. A lua nos seguiu –de novo- no caminho até em casa, repetindo o trajeto da primeira ocasião, que muito mais cheia, mas reluzente, ficou mais tempo enredada à janela do carro e desta vez você chorou, filha, um choro doído, de coração machucado mesmo quando ela se escondeu atrás de um prédio alto. “Somiu...”  Eu quis ficar triste, mas não pude, o desejo do impossível sempre foi o meu fraco. Quis pegar teclado, caneta ou lápis preto para desandar esta massa onírica de palavra e tatuar teu primeiro pedido epifânico: “Mamãe, eu quero a lua! É minha!” Não senti ter de dizer que está muito longe porque -como eu disse- os amores platônicos, as veredas espinhosas, os desertos intermináveis, o desejo do impossível sempre foi o meu fraco. E agora, filha, estamos mais perto do que nunca...

domingo, 23 de janeiro de 2011

O sequestro do Pessoa

Todos os textos sobre minha lida materna este mês chegaram a se gestar em mim, mas nenhum resultou em parto literário. Hoje, no entanto, ele se impôs e ordenou que o tirasse do anonimato. Sozinha no meu quarto, nesta tarde de domingo, o ar fresco que entrava pela janela me convidava a ouvir uma música que, embora para muitos possa soar como brega, embalou muitas das noites em que passei solitariamente acompanhada. Algo me dizia que o que faltava era trilha sonora para que o texto acontecesse, inspirado num fato e num livro que eu estava lendo. Bem, o escrito não veio em prosa, mas resultou no poema “Sequestro”. O meu livro de cabeceira (O LIVRO DO DESASSOSSEGO) estava ao lado e foi sequestrado pela Laís, que acabara de acordar da sua soneca da tarde. A irmã continuava nos braços de Morfeu. Abriu em qualquer página e fiquei lendo em voz alta pra ela, brincando de ler palavra. Minha pequenina ali, tão entregue à leitura tal qual estivesse ouvindo contos de fada, estranhou quando viu minhas lágrimas, mas não fez alarde. Escolheu outra página. Depois de outras linhas em voz alta, fez pose e tomou posse do livro como objeto seu de prazer e deleite. Fez questão de folheá-lo de maneira imponente na frente do pai e olhando-me de revés. Tive vontade de tirar uma foto mas ela perderia o frescor do momento. Preferi retratar na memória. Foi assim que Fernando Pessoa deixou de ser meu nesta casa.

Manhã de Natal

A abertura dos presentes, na manhã de Natal, também foi uma surpresa boa. As duas soltaram um gritinho delicioso quando viram que era o boneco de sua dupla preferida: Patati e Patatá. A caminho do almoço do dia 25 com os avós e a bisa, fizeram questão de levar a novidade. Chegando lá, Nina prontamente me perguntou: “Foi você que comprou?” Eu respondi na lata: “Não, Papai Noel passou lá em casa!”


domingo, 26 de dezembro de 2010

Rituais natalinos

Este foi o primeiro Natal em que elas realmente participaram. Apesar de termos feito tudo às pressas, conseguimos que esta data não passasse sem seus rituais. A montagem da árvore foi muito gratificante. Elas foram colocando cada enfeite, curtindo a abertura das embalagens, a descoberta de cada item que saía da sacola. Laís, como sempre mais organizada, abria o barbante e pendurava o enfeite com precisão. Enquanto isso, sua irmã tratava de desfazer o que estava pronto, extasiada com os penduricalhozinhos que ostentavam a figura do bom velhinho (“Papai Éu!”, como o chama). Depois de muitas broncas, ela ainda tentou carregar a árvore pela casa e retirava todas as bolas vermelhas, que eram prontamente recolocadas pela irmã, às vezes acompanhadas por beliscões, que a Laís tem um limite de paciência bem miudinho, como ela.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Canseira...

O vocabulário tem aumentado bastante, principalmente para a Ísis, que não tem medo de errar e sai repetindo tudo quanto é palavra que ouve. A diferença é que agora ela já sabe o que está falando, adequa direitinho às situações. Laís está mais reservada, demora para se acostumar aos novos acontecimentos (como sempre), mas também não fica atrás na hora da bagunça. Gosta de mandar, pegar os brinquedos da mão da irmã, o que acaba sempre em brigas... e mordidas. Mas ai de mim se eu for tomar as dores da Ísis, ela me bate e dá bronca: "Paia!"(para), nem parece que acabou de apanhar ou levar mordida... De tanto separar briga, catar brinquedo, varrer papel picado, correr para evitar uma possivel tragédia, etc e tal, só não fico magra por um motivo bem razoável: assim que elas dormem eu ataco a geladeira e vocês devem saber que não é para comer uma frutinha ou um copinho de iogurte! Dá-lhe biscoito recheado, chocolate, refri, pão francês, macarronada com queijo ralado e similares. E depois de um início de noite pra lá de agitado, durmo às duas para acordar às três pela tosse da Laís, que chora até a colocarmos na nossa cama. Daí pra diante é só canseira... Esperemos o sábado e o domingo para corrermos atrás delas (e da bola) na enorme quadra do condomínio, suando em bicas... Ê vidão!!! Se não fossem os assaltos noturnos à geladeira, quem duvida que eu já estaria um filé?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Repetição...ou não? (Síndrome do papagaio)


Bem, estou mais calma e aceitando melhor algumas coisas... As generalizações continuam e temo me cansar se ficar repetindo incessantemente que aquele animal não é au-au, e sim jacaré, passarinho ou macaco. Para as duas, todo animal é au-au, toda criança é neném, tudo que tem tecla merece um alô e ponto final. Apesar de trabalhar com educação, acho uma chatice ficar repetindo sem parar as palavras para que depois elas mostrem para os outros o que aprenderam... Parece que todo mundo que se aproxima fica querendo testar os conhecimentos da criança, mal nasceu e já está inscrita no vestibulinho: tem que saber dizer quantos anos tem, as cores, os números, etc e tal. Me aconselharam a comprar uns DVDs malucos que ficam repetindo sem parar as mesmas palavras para estimular a fala de bebês. Os tais já ganharam até prêmio! É tão bom que a palavra falada não casa com a imagem mostrada, e repete sem parar sem relacioná-la a alguma coisa que tenha lógica. Como nada é totalmente ruim, aparecem alguns (poucos) quadros lindos de pintores famosos e a música é clássica, igualmente linda! Laís relaxou que é uma beleza, mas acredito que para aprender as cores, não serviu! Comprei uns lápis coloridos e peço para elas pegarem esta ou aquela cor, mas não quero me estressar mais com isso. As palavras tem de aparecer naturalmente, a partir das situações vividas. Só assim farão sentido e serão, de fato, aprendidas. Vale lembrar que elas são crianças, não PAPAGAIOS!

sábado, 24 de julho de 2010

Pílulas de mãe

1. Fiz umas caixinhas de dobradura que aprendi com uma colega de trabalho. Laís brincou de tirar e encaixar de novo as tampas. Quando não consegue, pede minha ajuda. Ísis rasgou, curiosidade em saber o que tinha debaixo do papel usado (eram folhas de rascunho, já impressas de um lado).

2. A febre as faz mais sonolentas e carinhosas. No lugar da agitação, curtem aninhar-se no nosso colinho... três dias de puro aconchego...

3. Inútil distraí-las para que não prestem atenção nos episódios do CSI (o pai vê todos os dias), outro dia Ísis imitava o psicopata da tela, que parecia uma cobra com a língua de fora.

4. Tanta gente querendo perder peso por aí (inclusive eu!) e a Laís consegue fácil esta proeza, a cada consulta ela perde mais um tiquinho. Aposentamos o Sustagen e a pediatra receitou Fortin. É hipercalórico, tão bom que ela toma na mamadeira e recusa o almoço... Ô dificuldade!

5. A conta da farmácia tá maior que o Everest!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Desespero em se comunicar

Ísis resolveu me bater, puxar meu cabelo e me morder quando quer alguma coisa. O que dói (literalmente) é não sabermos o que é. Na maioria das vezes, fome, e é normalmente inútil pedirmos para que ela fale o que quer... "Fala, filha, o que você quer?" O engraçado é que ela já diz muita coisa, mas suponho que seja apenas por repetição, não porque entendeu realmente o que aquilo significa, ainda que só repita determinadas expressões nas situações certas. Será que, por nervosismo ou desespero, não consegue raciocinar na hora? Estão novamente doentinhas, e sem comer quase nada, vomitando a torto e a direito, deve dar mesmo um desespero de fome. A Laís abre logo a boca: "Qué mamá!", mas a irmã ainda precisa gritar e bater. Quando fui a uma palestra sobre surdos, a doutora sempre reforçava que eles, de uma maneira geral, mostram-se agressivos antes de aprenderem LIBRAS. O desespero de não conseguir se comunicar é algo impossível de se imaginar, deve ser muito ruim. Nessas horas tento me controlar e entender o lado da minha princesa. Está crescendo, já compreende muita coisa, mas a comunicação ainda é um grande problema pra ela. Crianças mais novas talvez não se desesperem tanto, o entendimento do que acontece em volta ainda é menor. Além disso, ninguém espera que uma criança de um ano ou de meses fale do que está precisando, a nossa cobrança é maior sabendo que ela já tem mais de dois anos... Bem, enquanto isso a gente continua apanhando, tentando adivinhar o que ela quer... mas sem nunca deixar de perguntar mais uma vez: "O que você quer, filha? Fala!"

domingo, 27 de junho de 2010

Em tempos de doença...é lazer zero!!!

Hoje elas voltaram a comer depois de mais dois episódios de infecção. Depois de sete dias a tosse continua à noite e a Laís vomitou hoje novamente. Não posso dar corticóide, eles têm limite de uso – que já foi mais do que ultrapassado. Na emergência a médica constatou otite e amigdalite na Ísis, mas a outra não tem nada, só catarro. Para eles parece algo tão simples, né? Alguma coisinha sem importância que faz a criança tossir o dia inteiro, não deixa dormir à noite e ainda vomitar o leite...é... não parece nada inofensivo. Estou no meu limite. Os episódios estão colados, às vezes elas ficam apenas dois ou três dias saudáveis. O remédio para prevenir custa 150 reais a caixa para cada uma, é um pó, não pode misturar no leite, nem na comida quente... direto na boca é impossível, elas jogam tudo fora vomitando... Quem tiver uma solução que me indique, mas eu estou seriamente pensando em tirar da creche e deixar em casa... Doentes, eu passo os começos de noite limpando vômitos, cocô, medicando, limpando narinas e inventando meios esdrúxulos para fazê-las comer alguma coisa. A madrugada é certa: acalmando tosses e colocando-as em pé, no colo, para facilitar a respiração. Desse jeito, quem agüenta trabalhar no dia seguinte? No fim de semana, é a mesma rotina, só que 24 horas no ar... Lazer zero! Meu lazer é vê-las dançar na frente da TV!

domingo, 23 de maio de 2010

Diário de uma escarlatina II

Amigos e família,

Não sei se ficou claro, mas apesar das postagens recentes, as informações são antigas. Fiquei um tempo desconectada, mas graças aos meus vizinhos estou de volta. No entanto, escrevi e guardei muita coisa, que estou publicando agora. Portanto, as datas a serem consideradas são as que estão no corpo da mensagem, ok?

Beijos.

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ANIVERSÁRIO EM PEQUENO ESTILO


Sábado, 27 de março de 2010.

Hoje é aniversário das duas e, como Laís ainda não está liberada para a vida lá fora até o fim do antibiótico, faltamos à festa da minha irmã de 6 anos (ela faz anos no mesmo dia) e resolvemos fazer uma festinha particular, só para nós quatro. Pendurei o painel que a tia Vanessa comprou para enfeitar a festa da escola (acabou não rolando), fiz brigadeiro de colher e compramos um bolo. Papai deu um jeito de posicionar a filmadora sem que ninguém precisasse pilotá-la a fim de registrar cada momento do parabéns. Foi difícil chamar a atenção delas para a foto, os coelhinhos do painel estavam mais interessantes. É impressionante como elas se divertiram... Bateram palmas, cantaram, comeram tudo, fizeram bagunça e ficaram tristes de me ver desmontar a parafernália. Laís não queria sair da mesa de jeito nenhum. Mesmo depois de tudo desfeito, ela voltou a sentar na cadeira (alta demais pra ela) e acabou caindo no segundo em que me virei para preparar a última mamadeira da noite. A máquina fotográfica trabalhou pouco hoje, depois de umas poucas fotos, só resolveu voltar a funcionar quando as pimpolhas já estavam dormindo. Bem, elas curtiram tudo, provando que festa de aniversário é sempre importante para qualquer criança, por menor que ela seja, e está tudo registrado, como manda o figurino. Isto é o que eu chamo de uma festa só para os íntimos, o resto é conversa. Uma pequena comemoração para uma pequena família.

Sábado. 03 de abril de 2010.

A doença, para nossa surpresa, segue seu curso e, quando pensávamos já termos nos livrado dela, a danada nos mostrou as garras. O corpo da Laís continuou descamando, começando nas partes ainda não atingidas, as mãos e pés. Uma colega de trabalho já havia me alertado sobre este fato, mas eu, diante da melhora evidente, não levei muita fé. A pediatra solicitou que ela permanecesse em casa até o fim destes sintomas e pediu que a gente controlasse a alimentação, o mais natural possível (ela não gostou nada quando eu disse que as duas comeram chocolate no aniversário). Eu voltando a trabalhar, fica meio complicado, elas devem ficar com o pai até as mãos da Laís descamarem totalmente. Com a movimentação intensa, a pele acaba saindo mais cedo do que devia, quando a de baixo ainda está sensível. Tenho feito massagens com óleo hidratante, como fiz no resto do corpo, mas nas mãos é esquisito, a pele é mais grossa, não funciona muito. Depois do banho é que fica molinha e acaba saindo naturalmente. Nos pés não sei o que fazer, passar óleo não dá, não sei se deixo de meia... Bem, ela odeia meia, vai acabar tirando, então a deixo descalça.

Eu pouco tinha ouvido falar de escarlatina, a não ser na música da bailarina, mas desde que minha filha teve, em todo lugar que comentamos o assunto aparece alguém que já teve. Como os médicos disseram, é bem comum, embora geralmente ela se apresente bem mais branda do que foi na nossa fofinha.

RESPEITANDO OS HORÁRIOS

Desde que voltei do hospital estou mantendo os horários da escola e, para minha surpresa, tive de dar razão ao meu marido, que sempre ficava em cima de mim para que eu respeitasse os horários, que seguisse uma rotina rígida... Agora vejo que ele está certo. Desde então não tenho tido problemas com as refeições – elas comem tudo – nem com a hora de dormir – elas dormem cedo. Tenho tido tempo para brincar, tempo pra mim, pra ver televisão e até para ler. Em contrapartida, como casal quase não estamos brigando, porque a maioria das nossas discussões girava em torno de um mesmo ponto: os horários. Como estou os seguindo à risca, são poucos os problemas. Nossas tarefas também estão melhor divididas. Ele prepara o leite da manhã, faz as compras, lava a louça e coloca o lixo fora. Eu preparo a mamadeira da noite, separo a roupa, dou banho e comida. O resto – que não é pouco – fica a cargo de nossas ajudantes e da escola, nos dias de semana. A rotina rígida me fez perceber que as crianças precisam de hora para tudo, e que isto traz tranqüilidade não só pra elas, mas pra gente também. Sem contar que as tarefas cotidianas, depois que você passa um tempo dentro de um hospital, passam a ter um colorido todo especial. Precisei passar por isso pra perceber como é bom estar em família, rir e dançar com minhas filhas, vê-las pular na barriga do pai ou escalar as estantes... Em qualquer lugar por onde eu passe, jamais serei insubstituível, a fila anda no meu trabalho se eu não estiver lá. Mas aqui, na minha casa, eu sou indispensável. Dois a um para o maridão, ele sempre chamava minha atenção pra isso também. Que bom que não dói nada dar o braço a torcer..